Diretor da APTS diz que seguradora estatal é "reinventar a roda"
Por Pedro Duarte
O anúncio pelo governo de uma seguradora estatal para dar conta da demanda interna por seguros tem causado reações negativas e desconforto em todo o mercado segurador. Entre as razões para explicar a necessidade de uma companhia com selo estatal, a principal é o cenário que combina aquecimento da economia com as ciclo de forte expansão da construção civil - em virtude do PAC, da Copa e dos Jogos Olímpicos no Brasil. Mas segundo a opinião de Carlos Antonio Barros de Moura, diretor da APTS dos (Associação Paulista dos Técnicos de Seguro) e consultor da BarrosDeMoura & Associados, "o governo não precisa de nenhuma empresa porque, logo de início, não é função do governo ter empresas". Barros de Moura aprofunda a análise, afirmando que se trata de "delírio total". "A comprovação dessa afirmativa está na própria exposição de motivos para criar tal monstrengo como a EBS ou Segurobrás e nos planos do governo para as obras voltadas à Copa do Mundo e Olimpíadas. Vale registrar a tentativa de afrouxar as normas para as licitações e controle de gastos". O consultor explica que, no caso dos seguros para muitas e grandes obras, o Brasil não é o primeiro e não o último país a viver momento semelhante. "Logo, 'reinventar a roda' como o governo quer fazer para nosso caso, tem objetivos outros que não somente cumprir com as exigências que tais eventos impõem". Para Barros de Moura, a amplitude das áreas de atuação projetadas para a EBS revela que há algo mais, também. "Um bom exemplo é a oferta de Seguro Garantia para as obras. Teríamos um curioso conflito: obras do governo garantidas por uma seguradora do governo". Ele reforça que o mercado de seguros no Brasil, com apoio do mercado nacional e internacional de resseguros, tem plenas condições para cobrir os Seguros Garantia necessários para estas grandes obras. Outro aspecto destacado pelo consultor é a questão das exportações que, na sua avaliação, está colocada erradamente. Barros de Moura aponta que o ponto vital, que normalmente é atendido pelos governos, é a cobertura dos riscos políticos no Seguro de Crédito. E não há complicação para resolver o problema porque já existem vários modelos funcionando adequadamente no mundo. "As exportações brasileiras têm outras problemas mais sérios criados pelo governo que não estão resolvidos: excesso de burocracia e tributação - exemplo: para uma empresa brasileira exportar café processado é mais barato importar o café que comprar no Brasil - sem falar na péssima infra-estrutura". Por fim, Barros de Moura defende que, para a APTS, é importante que haja sempre valorização dos técnicos de seguros que atuam no Brasil. "E temos dúvidas se mais uma estatal nos moldes da EBS trará contribuição positiva".
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Fonte: Assessoria de Imprensa
06/09/2010
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